Uma das razões para a realização do encontro, realizado nesta semana na Bélgica, foi a intenção dos europeus em estreitar laços entre a América Latina e Caribe, para reduzir a influência chinesa na região.
“Se os Estados Unidos não querem fazer investimento, tem gente que quer. Se a Europa não quer fazer investimento, tem gente que quer”, disse o presidente em coletiva de imprensa para fazer um balanço da viagem, nesta quarta-feira (19).
Fontes do governo afirmam que a fala faz referência à China e que o presidente quis dizer que, se os americanos e europeus não investirem no Brasil, os chineses seguirão aumentando sua influência sobre a região.
O presidente também ressaltou que o Brasil não participava há anos de encontros internacionais e que o fato de participar da Celac mostra “de forma inequívoca” o interesse da União Europeia pela América Latina. “Poucas vezes vi tanto interesse”, disse.
Lula destacou ainda que as potências ocidentais precisam entender que o mercado latino-americano é disputado.
“Como estamos na era da competitividade, as pessoas precisam entender que é preciso disputar. E a América Latina é um mercado muito importante para a União Europeia”.
Decisão ocorre nove meses após visita de técnicos britânicos ao Brasil
Foto: EBC
Nove meses após uma visita técnica ao Brasil, o governo britânico retirou os controles reforçados às compras de carne brasileira. A informação foi dada nesta segunda-feira (17) pelos Ministérios das Relações Exteriores e da Agricultura. Com a medida, as autoridades sanitárias brasileiras poderão habilitar empresas autorizadas a vender carne ao Reino Unido, sistema chamado de pre-listing em inglês.
O Reino Unido também passará a tratar os casos de gripe aviária em nível estadual. Dessa forma, eventuais focos da doença no Brasil levarão apenas ao fechamento do mercado para as carnes de aves dos estados com ocorrências registradas. Até agora, o governo britânico suspendia as compras de todo o país nesses casos.
Em nota conjunta, os dois ministérios informaram que a missão de auditoria sanitária do governo britânico constatou que o Brasil resolveu questões relacionadas à regulação sanitária e fitossanitária que haviam levado à adoção dos controles reforçados à carne brasileira.
“A decisão das autoridades britânicas confirma a excelência dos controles sanitários oficiais brasileiros, que garantem a qualidade e a inocuidade dos produtos consumidos no Brasil e em países importadores”, destacaram os dois ministérios no comunicado.
Realizada em outubro do ano passado, a visita técnica foi a primeira missão de auditoria britânica ao exterior depois do Brexit. Segundo a nota conjunta, tanto o Itamaraty como o Ministério da Agricultura e Pecuária mantiveram conversas com o governo britânico desde a efetivação da saída do Reino Unido da União Europeia. As reuniões ocorreram em Brasília e em Londres.
Segundo as duas pastas, o Reino Unido representa um dos principais mercados para as carnes brasileiras. Em 2022, o Brasil exportou US$ 282,2 milhões em carne de aves e cerca de US$ 134,5 milhões de carne bovina para o mercado britânico. Desde o Brexit, as exportações agropecuárias brasileiras para o Reino Unido aumentaram 67%, atingindo US$ 1,8 bilhão no ano passado.
Decisão da Rússia deve piorar a insegurança alimentar e prejudicar milhões de pessoas vulneráveis em todo o mundo, disse porta-voz do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, em comunicado
Foto:REUTERS/Mehmet Emin Calsikan
Os preços do trigo e do milho nos mercados globais de commodities estão em alta nesta segunda-feira (17) depois que a Rússia desistiu do acordo que permitia a exportação de grãos da Ucrânia.
O colapso do pacto ameaça elevar os preços dos alimentos para os consumidores em todo o mundo, o que pode levar milhões à fome.
A Casa Branca disse que o acordo foi “crucial” para reduzir os preços dos alimentos em todo o mundo, que dispararam depois que a Rússia invadiu a Ucrânia em fevereiro do ano passado.
“A decisão da Rússia de suspender a participação na Iniciativa de Grãos do Mar Negro piorará a insegurança alimentar e prejudicará milhões de pessoas vulneráveis em todo o mundo”, disse Adam Hodge, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, em comunicado.
Os contratos futuros de trigo na Bolsa de Comércio de Chicago saltaram 2,7%, para US$ 6,80 o alqueire, e os contratos futuros de milho subiram 0,94%, para US$ 5,11 o alqueire, pois os comerciantes temiam uma iminente crise de oferta dos alimentos básicos.
No entanto, os preços do trigo ainda caíram 52% em relação à alta histórica de março de 2022, após a invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia, e os preços do milho estão 38% mais baixos do que em abril de 2022, quando atingiram o maior nível em 10 anos.
O acordo do Mar Negro – originalmente intermediado pela Turquia e pelas Nações Unidas há um ano – garantiu a passagem segura de navios que transportam grãos dos portos ucranianos. O acordo foi definido para expirar às 17:00 ET de segunda-feira (meia-noite, horário local em Istambul, Kiev e Moscou).
Até agora, o acordo permitiu a exportação de quase 33 milhões de toneladas métricas de alimentos pelos portos ucranianos, segundo dados da ONU .
O acordo foi renovado três vezes, mas a Rússia repetidamente ameaçou desistir, argumentando que foi prejudicada na exportação de seus próprios produtos.
No fim de semana, o presidente russo, Vladimir Putin, indicou que não renovaria o pacto, dizendo que seu objetivo principal – fornecer grãos aos países necessitados — “não foi realizado”.
Impacto de longo alcance
O colapso do acordo provavelmente terá repercussões muito além da região.
Antes da guerra, a Ucrânia era o quinto maior exportador de trigo do mundo, respondendo por 10% das exportações, de acordo com a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico.
A Ucrânia está entre os três maiores exportadores mundiais de cevada, milho e óleo de colza, diz a Gro Intelligence, uma empresa de dados agrícolas. É também, de longe, o maior exportador de óleo de girassol, respondendo por 46% das exportações mundiais, segundo as Nações Unidas.
No ano passado, os choques econômicos que incluíram os impactos da guerra na Ucrânia e da pandemia foram os principais motivos da “insegurança alimentar aguda” em 27 países, afetando quase 84 milhões de pessoas, segundo relatório da Food Security Information Network, um banco de dados plataforma de partilha financiada pela União Europeia e pelos Estados Unidos.
O FSIN define insegurança alimentar aguda como a falta de alimentos suficientes a ponto de colocar em risco a vida ou o sustento da pessoa.
O Comitê Internacional de Resgate (IRC) disse em novembro que o colapso do acordo “atingiria mais aqueles que estão à beira da fome”. O alerta veio depois que Moscou suspendeu sua participação no pacto por vários dias após ataques de drones em Sevastopol, uma cidade portuária na Crimeia controlada pela Rússia.
O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, também disse na época que um rompimento do acordo transformaria uma “crise de acessibilidade [dos alimentos] em uma crise de disponibilidade” se os agricultores de todo o mundo não pudessem obter os fertilizantes necessários antes da temporada de plantio.
A Rússia é o maior fornecedor global de fertilizantes, segundo a Gro Intelligence. Como parte do acordo mais amplo, um acordo relacionado foi negociado para facilitar os embarques de fertilizantes e grãos russos.
Na semana passada, Shashwat Saraf, diretor regional de emergência para a África Oriental no IRC, pediu uma extensão de longo prazo do acordo para criar “previsibilidade e estabilidade” para a região, que perdeu grandes quantidades de colheitas por causa da seca e das inundações.
“Com aproximadamente 80% dos grãos da África Oriental sendo exportados da Rússia e da Ucrânia, mais de 50 milhões de pessoas na África Oriental estão passando fome e os preços dos alimentos dispararam quase 40% este ano”, disse Saraf, em um comunicado.
Preço dos alimentos
O índice global de preços de alimentos calculado pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação atingiu o máximo histórico em março de 2022, mas caiu constantemente desde então. Uma queda nas exportações de alimentos causada pela saída da Rússia do acordo pode reverter essa tendência.
As nações mais ricas estão menos expostas às consequências do que alguns países do Oriente Médio e da África, disse Caroline Bain, economista-chefe de commodities da Capital Economics, à CNN.
“Um aumento renovado nos preços das commodities agrícolas obviamente aumentaria os preços dos alimentos no varejo, mas talvez não tanto quanto você pensa, principalmente nas economias desenvolvidas”, disse ela.
“Existem tantos custos ao longo do caminho do trigo até o pão, incluindo transporte, processamento, embalagem, mão de obra”, disse ela, acrescentando que os preços da energia foram um grande impulsionador da inflação dos preços dos alimentos.
No domingo (16), o serviço meteorológico chinês registrou uma temperatura de 52,5 °C em Sanbao, município localizado em Xinjiang, no oeste do país.
Esse número bateu o recorde do mês de julho em toda a China. Em 2017, nesse mesmo período do ano, o antigo recorde registrou 50,6 ºC, em Ayding, lago localizado 150m abaixo do nível do mar.
A administração meteorológica de Turfã, também em Xinjiang, afirmou que “registrou um pico de temperatura de 52,2°C às 19h de 16 de julho, quebrando o recorde histórico de calor para o mesmo período do ano”.
Seis meses atrás, uma cidade na China chegou a 53 ºC abaixo de zero, a menor temperatura já registrada na história do país.
Atores e roteirista pedem melhora salarial e atenção com a Inteligência Artificial
Foto: Mike Blake/Reuters
Na quinta-feira (13), 160 mil artistas de Hollywood vinculados ao Sindicato dos Atores de Hollywood (SAG-AFTRA) entraram em greve. Os roteiristas já haviam declarado greve, desde maio, o que significa que muitas produções audiovisuais vão ser suspensas.
O sindicato não chegou a um acordo com a Aliança de Produtores de Cinema e Televisão (AMPTP), que reúne dirigentes de empresas famosas, como Netflix, Disney, Amazon, Apple, Warner, Sony, entre outras.
Os principais pontos da SAG são o baixo valor salarial e a implementação de Inteligência Artificial nas produções, ameaçando a função dos atores. A presidente do sindicato, Fran Drescher, afirmou que a justificativa das empresas é a falta de dinheiro, “alegaram pobreza”. Drescher ainda completou, “Os estúdios afirmam que estão perdendo dinheiro, enquanto pagam salários milionários aos CEOs.”
Em nota, a AMPTP disse que propôs aumento salarial e outros benefícios. “Aumentos de pagamento, de residuais e de aposentadorias”. Desde 1980, os atores hollywoodianos não entram em greve. Além da paralisação nas gravações, trabalhadores que aderiram à greve não estarão presentes em eventos de imprensa e premier de filmes.
Em junho, os atores começaram a organização interna para declarar greve, caso não conseguissem um acordo. No mesmo mês atores consagrados como Mary Streep e Jennifer Lawrence pediram para o SAG negociar com uma “linha mais dura”, porque a situação estava alcançando pontos críticos.
Lula e primeiro-ministro da Noruega conversaram hoje por telefone
Foto: Mike Segar
O primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Støre, disse ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que seu país quer ampliar as parcerias com o Brasil em áreas voltadas à agenda climática e ao combate à fome. Os dois governantes conversaram nesta terça-feira (11) por telefone.
Por meio de sua conta no Twitter, o presidente brasileiro informou que os dois chefes de governo falaram sobre a necessidade de cooperação global, bem como sobre medidas visando a defesa do meio ambiente.
De acordo com o Planalto, durante a conversa Lula agradeceu ao primeiro-ministro pelas contribuições de seu país ao Fundo Amazônia e o convidou para uma visita ao Brasil. Lula falou sobre a Cúpula da Amazônia, em agosto, encontro que reunirá autoridades dos oito países da região, e com convites estendidos também à Indonésia, aos dois Congos e à França.
Em nota, o Planalto informou que Støre “expressou interesse em colaborar mais com o Brasil em temas como segurança alimentar e combate à fome e o manejo dos oceanos, além da tradicional agenda climática”.
Lula disse que o Brasil pretende estruturar um projeto de desenvolvimento a partir da biodiversidade amazônica, “dando oportunidade de melhoria de vida aos povos que lá habitam”, e que a abertura de oportunidades de investimentos em energias renováveis “reforçará a limpeza da matriz energética brasileira”, além de preparar o caminho para “propostas concretas a serem apresentadas na COP 30, em Belém”.
Morte do jornalista teria ocorrido entre 24 e 48 horas antes da sua localização na manhã deste sábado (8), em uma zona rural perto de Tepic, capital de Nayarit
Foto: Reprodução/Twitter
O corpo sem vida de Luis Martín Sánchez Iñiguez, correspondente do jornal La Jornada no estado mexicano de Nayarit, foi encontrado no sábado (8) com sinais de violência após ter sido dado como desaparecido, informou a Promotoria local.
Sánchez é o primeiro jornalista ativo a morrer em circunstâncias violentas em 2023 no México, considerado um dos países mais perigosos para os comunicadores.
“O corpo foi encontrado com sinais de violência e sobre ele dois cartões com uma mensagem (…) e o comunicador Luis Martín Sánchez Iñiguez foi identificado por seus familiares”, informou a Promotoria em comunicado.
Segundo as primeiras investigações, a morte ocorreu entre 24 e 48 horas antes da sua localização, na manhã deste sábado, em uma zona rural perto de Tepic, capital de Nayarit.
Segundo a mídia local, o corpo do jornalista teria sido amarrado e embrulhado em sacos plásticos, enquanto as mensagens seriam de grupos criminosos.
La Jornada, um dos maiores jornais do país, fundado em 1985 e com sede na Cidade do México, já perdeu dois de seus correspondentes mais prestigiados: Miroslava Breach, em Chihuahua em março de 2017 (norte), e Javier Valdez, em Sinaloa (noroeste), em maio do mesmo ano. Este último jornalista foi colaborador da AFP.
A esposa de Sánchez Iñiguez, Cecilia López, denunciou na sexta-feira passada que não sabia de seu paradeiro desde a noite de quarta-feira. Ela estava em outra cidade visitando familiares e ligou para sua casa em Tepic para falar com o marido.
A Promotoria anunciou que investigará o caso como crime relacionado ao trabalho de Sánchez Iñiguez.
A família também informou que, embora tenham encontrado em casa as roupas que o jornalista usava na quarta-feira, faltavam entre seus pertences o crachá de jornalista, o computador, o celular e um disco rígido (HD).
A organização Artigo 19 agradeceu as autoridades por favorecerem o trabalho jornalístico como motivação do crime, mas exigiu que a Procuradoria-Geral apoie as investigações, de acordo com um protocolo de crimes contra a liberdade de expressão.
Desde 2000, mais de 150 jornalistas foram assassinados no México, segundo a organização.
Segundo o governo, em 2022 houve 13 registros de homicídios de jornalistas e as autoridades investigam se esses fatos tiveram relação com a profissão das vítimas. A maioria dos crimes contra comunicadores continua impune.
Audiência virtual é realizada sobre caso de cárcere privado e tatuagem forçada em São Paulo
Foto: Reprodução
A Justiça de São Paulo conduziu uma nova audiência virtual nesta segunda-feira (3/7) com Thiago Brennand, no contexto do caso envolvendo uma mulher que teria sido mantida em cárcere privado e obrigada a tatuar as iniciais do empresário em seu corpo.
O processo está em andamento sob segredo de Justiça, e a identidade da vítima não foi divulgada. Ela alega ter sido agredida e ter um vídeo íntimo compartilhado sem consentimento por Brennand.
A audiência de instrução e o julgamento estão ocorrendo na 1ª Vara de Porto Feliz (SP), onde Thiago Brennand enfrenta acusações de estupro de uma modelo norte-americana.
Desde abril de 2023, Brennand encontra-se detido no Centro de Detenção Provisória 1 (CDP) de Pinheiros, na capital paulista.
No Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), estão em tramitação nove processos contra Thiago Brennand, abrangendo crimes de violência sexual, tortura, ameaça, sequestro, cárcere privado, lesão corporal, corrupção de menores, calúnia, injúria e difamação.
Agressão:
A vítima, cujo corpo foi tatuado, reside fora do Brasil. Ela tinha planos de visitar seus pais em Recife, em agosto de 2021. No entanto, antes de chegar à capital pernambucana, Thiago a convidou para visitá-lo.
Em uma entrevista ao programa Fantástico no ano passado, ela relatou que o primeiro dia com o empresário foi bom, mas no segundo dia ele tomou seu celular e a agrediu.
Após a agressão, Thiago se trancou em seu quarto com o telefone desbloqueado. Segundo a mulher, quando ela gritou pedindo o aparelho de volta, foi agredida novamente pelo empresário. “Ele saiu do quarto dele e disse: ‘nenhuma mulher que está comigo grita assim’. E começou a me bater novamente. Então, ele me levou para o quarto dele e começou a agir, à força”, disse.
De acordo com a vítima, no terceiro dia, os dois saíram para jantar em São Paulo, e ela cogitou pedir ajuda. “Quando me levantei, ele me puxou e disse: ‘você não pensa em abrir a boca para ninguém’. Eu voltei e sentei. E voltamos para casa”.
Tatuagem:
Após saírem do restaurante, o empresário informou que havia uma “surpresa” esperando pela mulher em sua casa. “Quando chegamos lá, o tatuador já estava presente, com tudo preparado”, relembrou ela.
Nesta sexta-feira (30), foi confirmada a morte do ator Alan Arkin, vencedor do Oscar pelo filme “Pequena Miss Sunshine”. O comunicado foi feito pelos filhos do ator, Adam, Matthew e Anthony. A causa da morte não foi divulgada. Segundo os filhos, “nosso pai era uma força da natureza, com um talento único, tanto como artista quanto como homem”.
Com uma longa carreira no cinema, Arkin ganhou fama após sua participação no filme “Os russos estão chegando! Os russos estão chegando”, de 1966, que lhe rendeu seu primeiro Oscar de Melhor Ator. Entre as mais de 100 produções em que Arkin participou, uma delas foi o filme brasileiro “O que é isso, companheiro?”, dirigido por Bruno Barreto e lançado em 1997.
Sua segunda estatueta dourada foi conquistada pelo papel de “Edwin Hoover”, avô da protagonista no aclamado filme americano “Pequena Miss Sunshine”, que lhe rendeu o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. Em 2013, ele recebeu outra indicação na mesma categoria pelo filme “Argo”, mas não saiu vitorioso.
Por que o governo russo recorre a grupos privados de combate?
Foto: Stringer/AFP
Nos últimos dias, o Grupo Wagner surpreendeu o mundo ao se rebelar contra o governo russo, levantando questões sobre a presença de exércitos privados, conhecidos como mercenários. Mas afinal, por que esses grupos existem e qual é o seu propósito?
Especialistas apontam que o aumento do número de tropas mercenárias está ligado ao desejo do Kremlin de recrutar um grande contingente de combatentes sem ter que realizar mobilizações oficiais. “Atualmente, a Rússia é um Estado mobilizado em todos os níveis. Nesse contexto, há uma necessidade urgente de treinar combatentes, e Putin quer fazer isso sem recrutas ou mobilizações adicionais”, explica Mark Galeotti, historiador e fundador da empresa de consultoria Mayak Intelligence, com sede em Londres.
De fato, há ordens para recrutar voluntários de várias maneiras, incluindo o apoio de órgãos públicos e privados com recursos financeiros para mobilizar pessoas, afirma um ex-alto funcionário russo citado pelo Financial Times.
Além disso, financiar essas estruturas é uma maneira para oligarcas e corporações demonstrarem sua lealdade ao Kremlin. Em setembro de 2022, Putin se reuniu em segredo com representantes de grandes empresas, sugerindo que mobilizassem e financiassem voluntários para irem à Ucrânia. Essa informação foi relatada por Olga Romanova, líder da organização não governamental Rus Sidyashchaia (Rússia atrás das grades), que teve que deixar a Rússia há alguns anos.
Segundo fontes do Meduza, esse recrutamento é visto como uma forma de mobilização encoberta. A linha entre as tropas mercenárias, o exército regular e os “voluntários” na guerra da Ucrânia é bastante tênue, conforme apontam os entrevistados.
Esses insights revelam a complexidade por trás dos grupos mercenários na Rússia e os motivos pelos quais eles desempenham um papel significativo em operações militares.