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Bolsonaro chama Lula de ‘jumento’ e fala em voltar a Presidência

O ex-presidente ainda criticou o TSE e reclamou das críticas as queimadas na Amazônia durante sua gestão

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Foto: Reprodução/PL
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) estava discursando na cerimônia de filiação de Fernando Holiday ao Partido Liberal, na terça-feira (25), quando proferiu ofensas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), chamando-o de “jumento”, e disse sobre “missão” de retornar ao Palácio do Planalto.
Além dos xingamentos, Bolsonaro acusou o petista de ter apoio internacional para ser reeleito. “A quem interessa, levem-se em conta alguns países europeus, países mais ao Norte, interessa eu ou um entreguista na presidência da República? Um analfabeto? Um jumento, por que não dizer assim?”, disse o político enquanto era aplaudido.
O ex-presidente continuou reclamando sobre a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de torná-lo inelegível e falou de uma possível volta à presidência do país. “Ele atacou o sistema eleitoral. Tudo é ataque. Triste um país que pune um político não pelos seus erros ou defeitos, mas por suas virtudes. Vontade de ser presidente novamente? Eu queria ir para a praia, mas entendo que é uma missão”.
O discurso não parou por aí, Bolsonaro ainda aproveitou a atenção durante o evento para afirmar que as queimadas na Amazônia não são verdadeiras, alegando que tomou “pancadas” sem motivos por causa do número de queimadas durante seu governo.
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Justiça arquiva ação de injúria contra Bolsonaro movida por Maria do Rosário

Ao todo, foram arquivados quatro investigações contra o ex-presidente

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Foto: Alan Santos/PR
A Justiça Federal arquivou, a pedido do Ministério Público, quatro investigações que Jair Bolsonaro (PL) era réu, na segunda-feira (24). Entre elas, estava a ação da deputada Maria do Rosário (PT) contra o ex-presidente por injúria e calúnia.
O juiz responsável pela decisão, Francisco Antônio Alves de Oliveira, percebeu que as ações movidas contra Bolsonaro prescreveram, segundo as regras da legislação penal.
“Tendo em vista a data do recebimento da queixa-crime, o período em que o processo permaneceu suspenso, o correspondente prazo prescricional e a pena máxima cominada no caso verifica-se a ocorrência da prescrição da pretensão punitiva do Estado, uma vez que transcorridos mais de três anos sem que tenham ocorrido outras causas de interrupção e suspensão”, disse o juiz.
O caso aconteceu em 2014, na Câmara dos Deputados, em Brasília, quando Bolsonaro disse que Maria “não merecia” ser estrupada porque o político a considerava “muito feia”. A outra declaração, que virou ação judicial, do ex-presidente foi quando ele mediu um homem negro em arrobas.
Já a terceiro processo, diz respeito a ocasião que Bolsonaro chamou o ministro Alexandre de Moraes de “canalha”, em 2021. Por fim, a última ação tinha ligação com um blogueiro bolsonarista. O Supremo Tribunal Federal (STF) abriu as investigações em primeira instância quando Bolsonaro perdeu o foro privilegiado.
Bolsonaro

PGR muda pedido e agora quer saber se denunciados pelo 8 de janeiro seguem Bolsonaro

Órgão havia solicitado lista com todos os seguidores do ex-presidente nas redes sociais

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Foto: Adriano Machado

A Procuradoria-Geral da República (PGR) mudou o pedido de informações sobre os seguidores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nas redes sociais.
Agora, o órgão solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que as plataformas digitais informem se 244 pessoas denunciadas por participação nos atos criminosos de 8 de janeiro são seguidores do ex-presidente ou deixaram de ser.
A solicitação é assinada pelo Subprocurador-Geral da República Carlos Frederico Santos, responsável pelas investigações dos atos de 8 de janeiro. A decisão cabe ao ministro Alexandre de Moraes, relator dos inquéritos sobre os ataques.
Antes, em 17 de julho, a PGR havia pedido ao STF que as plataformas enviassem uma lista completa com os nomes e dados de identificação dos seguidores de Bolsonaro nas redes sociais. O fato teve ampla repercussão negativa, e a defesa do ex-presidente chamou a solicitação de “patrulhamento ideológico”.
Em nota de esclarecimento, divulgada em 18 de julho, o Ministério Público Federal (MPF) disse que o pedido de acesso a informações dos seguidores de Bolsonaro tinha o “objetivo de subsidiar apurações sobre atos antidemocráticos” e que essas pessoas não seriam investigadas e nem teriam seus dados expostos.
Agora, a PGR pediu que Moraes desconsidere esse pedido. Carlos Frederico citou “o expressivo volume de dados decorrente do número de seguidores em redes sociais de Jair Messias Bolsonaro – estimado entre 15 e 30 milhões de pessoas”, o que, segundo ele, demandaria “tempo e esforços, o que, neste momento, poderá comprometer a capacidade operacional de levantamento, de forma célere, dos dados solicitados, além do risco de comprometer o fluxo seguro para a transmissão das informações”.
Para o subprocurador, a reformulação do pedido visa ao interesse público, “paz social” e considera a “eficiência e celeridade” no andamento das investigações.
No pedido reformulado, a PGR apresenta uma lista com 244 pessoas denunciadas por suposta participação nos atos de 8 de janeiro.
Se o requerimento for aprovado, as plataformas deverão informar se os denunciados: 
Eram ou são seguidores de Jair Bolsonaro, “e caso não mais sejam qual data deixaram de segui-lo”;
Repostaram as postagens realizadas por Jair Bolsonaro que acaso tenham como temas fraude em eleição, urnas eletrônicas, Tribunal Superior Eleitoral, Supremo Tribunal Federal, Forças Armadas, Intervenção Militar e vídeos ou fotos relacionadas a referidos temas.
A reformulação do pedido diz respeito apenas a este item da lista de seguidores. Os demais, seguem de pé: O órgão requer, por exemplo, que as big techs enviem a “integralidade das postagens” de Bolsonaro sobre “eleições, urnas eletrônicas, Tribunal Superior Eleitoral, Supremo Tribunal Federal, Forças Armadas e fotos e/ou vídeos com essas temáticas”.
Sobre as publicações, a PGR quer que as empresas informem quantidades de visualizações, curtidas, compartilhamentos, comentários e “demais métricas aferíveis”.
As solicitações de informação foram feitas em inquérito no STF que apura os incitadores dos atos de 8 de janeiro.
Bolsonaro foi incluído no inquérito por ordem de Moraes e também a pedido da PGR. O ex-presidente passou a figurar na investigação por causa de uma publicação feita em seu perfil no Facebook em 10 de janeiro.
Na ocasião, ele postou uma desinformação em que contestava o resultado eleitoral e dizia que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não teria sido eleito pelo povo, o que foi apagado horas depois.
O pedido para incluir o ex-chefe de Estado na investigação partiu de representação assinada por integrantes do Ministério Público Federal (MPF). O documento sugere que, ao fazer a publicação questionando a regularidade das eleições, ele teria feito incitação pública à prática de crime.
A PGR argumentou na ocasião que a conduta do ex-presidente deveria ser investigada, mesmo tendo sido feita depois do dia dos atos de 8 de janeiro.
Pelo caso, Jair Bolsonaro prestou depoimento à Polícia Federal (PF) em 26 de abril. Aos investigadores, ele disse que fez a postagem por erro, e que não tinha interesse em publicar o material.
Segundo a PGR, os dados solicitados visam à “obtenção de dados concretos” para “fundamentar uma análise objetiva do alcance das mensagens, vídeos e outras manifestações publicadas pelo ex-presidente da República nas redes sociais”.
“Não se pode perder de vista que o vídeo fora veiculado após os atos violentos executados no dia 08 de janeiro de 2023. Por corolário, não poderia incitar a prática dos crimes contra o Estado Democrático de Direito deflagrados anteriormente à publicação”, afirmou Carlos Frederico Santos.
CNN Brasil
TSE

TSE multa Google por descumprir decisão sobre dados de anúncios de Lula e Bolsonaro

Bolsonaro acusa o presidente Lula de propaganda “irregular” durante eleições de 2022

TSE
Foto: Pierre Philippe/AFP e Cristiano Mariz/O Globo
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) multou, na terça-feira (18), o Google em R$ 60 mil por descumprir parcialmente decisão solicitando informações sobre as propagandas eleitorais de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL) nas eleições de 2022.
A determinação partiu do ministro Benedito Gonçalves. O pedido do Tribunal teve como objetivo o compartilhamento de dados da plataforma para investigar uma ação movida pelo Bolsonaro contra Lula, em fevereiro deste ano, que alega propaganda “irregular” por parte do presidente.
A defesa do ex-presidente afirma que a campanha petista usou propagandas patrocinadas pelo Google para influenciar o algoritmo de busca dos eleitores, o que confira uso indevido dos meios de comunicação e abuso de poder. Caso o TSE encontre irregularidades, Lula pode ficar inelegível. A defesa de Lula nega as acusações.
O ministro solicitou a ampliação das informações que devem ser entregues, passando a investigar também as atividades de Bolsonaro. O órgão enviou cinco questionamentos ao Google, que respondeu apenas dois, questionando a pressa em enviar as informações.
“Não assiste à Google Brasil Ltda., a pretexto de aguardar a análise dos embargos opostos pelas partes, a prerrogativa de suspender o cumprimento da diligência que lhe foi ordenada”, contestou Gonçalves. A valor da multa foi decidido considerando “o descumprimento parcial” e o “o tempo decorrido”.
O Google passa a pagar uma multa diária de R$ 50 mil até que seja feito o compartilhamento das informações.
Bolsonaro

PGR solicita dados das redes sociais sobre as publicações de Bolsonaro contra o processo eleitoral

O documento ainda pede informações sobre os seguidores do ex-presidente

Bolsonaro
Foto: Sérgio Lima/Poder 360
A Procuradoria-Geral da República (PGR) entrou com um pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF), na segunda-feira (17), para ter acesso a dados de publicações feitas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nas redes sociais.
A PGR solicitou “a integralidade das postagens referentes a eleições, urnas eletrônicas, Tribunal Superior Eleitoral, Supremo Tribunal Federal, Forças Armadas”. O órgão também quer informações dos seguidores do ex-presidente no Facebook, Twitter, Instagram, YouTube, TikTok, LinkedIn ou qualquer outra rede social usada por Bolsonaro.
Outra solicitação foi referente as “métricas aferíveis” das plataformas, como curtidas, número de visualizações, compartilhamentos, comentários e repostagens.
O subprocurador-geral da República, Carlos Frederico Santos, foi quem assinou o documento, em nome do “Grupo Estratégico de Combate aos Atos Antidemocráticos”, durante investigações do 8 de janeiro.
Bolsonaro foi incluído no inquérito do caso, de relatoria do presidente do STF, Alexandre de Moraes, por conta de postagens que questionam a segurança das urnas eletrônicas, em janeiro deste ano.

Gilmar Mendes manda reabrir investigação contra Bolsonaro

Ministro anulou o arquivamento do processo que investiga omissão do ex-presidente na pandemia

Foto: Felipe Sampaio/STF
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, anulou o arquivamento do processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, na segunda-feira (10). A ação investiga supostas omissões e irregularidades ocorridas no último governo durante a pandemia da Covid-19.
A Justiça Federal de Brasília havia decidido pelo arquivamento parcial do processo. O caso, que corre em sigilo, passa para a Procuradoria Geral da República (PGR) que irá reavaliar a investigação. Manifestações anteriores da PGR pediam pelo arquivamento da ação.
Além de Bolsonaro, as investigações estão analisando integrantes do antigo governo, como o ex-ministro da Saúde e atual deputado federal Eduardo Pazuello, a ex-secretária do Ministério da Saúde Mayra Pinheiro, o ex-secretário de Comunicação de Bolsonaro Fabio Wajngarten entre outras figuras próximas ao ex-presidente.
A CPI da Pandemia está relacionada com parte do inquérito. Em outubro de 2021, os senadores indiciaram 80 pessoas por delitos cometidos na pandemia, incluindo Bolsonaro e três dos seus filhos.

Bolsonaro depõe à PF em inquérito sobre Marcos do Val

É a quarta vez que Bolsonaro é intimado a depor à corporação

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Jair Bolsonaro deve depor novamente à Polícia Federal, nesta quarta-feira, no âmbito das investigações sobre as acusações do senador licenciado Marcos do Val (Podemos-ES). O parlamentar afirmou que o ex-presidente o teria o envolvido em uma tentativa de golpe de Estado, mas voltou atrás e mudou esta versão diversas vezes. O depoimento está marcado para as 14h, na sede da PF, em Brasília.
É a quarta vez que Bolsonaro é intimado a depor à corporação. Ele também foi ouvido nos inquéritos que investigam fraudes no seu cartão de vacinação e de sua família, nos ataques de 8 de janeiro e no caso das joias sauditas — que teria tentado trazer ilegalmente ao Brasil.
No início de fevereiro, em uma live, o senador disse que Bolsonaro o teria “coagido” a participar de uma tentativa de golpe, que envolveria também o ex-deputado federal Daniel Silveira — preso desde fevereiro no complexo penitenciário de Bangu, no Rio de Janeiro, por ter descumprido medidas cautelares determinadas pelo Supremo Tribunal Federal após condenação por ataques às instituições, ao Estado Democrático de Direito e ao próprio STF.
Bolsonaro teria pedido que Do Val gravasse, usando equipamentos do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), o ministro Alexandre de Moraes, a fim de obter alguma fala que o comprometesse que o impedisse de relatar o inquérito sobre os atos antidemocráticos.

Versões

No dia seguinte, porém, o senador mudou a versão e disse que Bolsonaro teria apenas ouvido a conversa, sem falar nada. Do Val alterou a fala várias vezes e chegou a dizer ainda que as diversas versões seriam uma tática de “inteligência” para “ludibriar o inimigo”. Ao todo, segundo o STF, foram quatro versões e, assim que o caso veio à tona, a Corte abriu um inquérito para investigar.
Por conta das acusações, Do Val foi alvo de operação de busca e apreensão no gabinete, no apartamento funcional, em Brasília, e em outro endereço em Vitória. A PF chegou a pedir a prisão do senador, mas Moraes negou.
Do Val também teve as contas nas redes sociais bloqueadas— usava-as para atacar o ministro do STF e integrantes do governo, como o ministro da Justiça e Segurança Pública Flávio Dino. Após a operação, o senador pediu licença de 120 dias do cargo alegando motivos médicos, depois de supostamente sentir-se mal no gabinete. 

Correio Braziliense

Congresso

Congresso concentra atividades da semana em comissões

CPMI do Golpe ouve ex-ajudante de ordens de Bolsonaro na terça-feira

Congresso
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Após aprovar a reforma tributária, nesta semana, a Câmara de Deputados se concentrará nas atividades dos colegiados do Congresso Nacional, com destaque para a Comissão Mista Parlamentar de Inquérito (CPMI) dos Atos Golpistas de 8 de Janeiro. Na manhã de terça-feira (11), a CPMI ouvirá o ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, Mauro Cid. Preso desde o dia 3 de maio, Cid será questionado sobre mensagens e documentos com teor considerado golpista encontrados em seu celular.
As mensagens encontradas pela Polícia Federal (PF) no celular de Mauro Cid foram tornadas públicas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As mensagens apontam para a elaboração de um plano de golpe com decretação de estado de sítio, suspensão da atual ordem constitucional, possível afastamento de ministros do TSE e a convocação de novas eleições.
Havia também diálogos de Cid com outros militares da ativa, nos quais eram apresentadas supostas justificativas para um possível golpe.
Além da CPMI, os deputados e senadores foram convocados para uma sessão do Congresso Nacional, que vai analisar diversos vetos presidenciais, também na terça-feira (12).
Como, até o momento, não há previsão de sessão deliberativa do plenário da Câmara, os deputados devem participar apenas das reuniões das comissões parlamentares.
Ainda na terça-feira, os trabalhos se concentrarão nas comissões de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, que debaterá a Política Nacional de enfrentamento aos crimes transfronteiriços; do Esporte, que vai abordar a readequação de velocidades para a segurança de pedestres e ciclistas; de Saúde, que avaliará o tratamento para Distonia no Sistema Único de Saúde (SUS); de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; Indústria, Comércio e Serviços, com debate sobre os impactos do regulamento da União Europeia contra o desmatamento.
Já as comissões de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência; de Indústria, Comércio e Serviços; de Administração e Serviço Público se reunirão para discutir e votar propostas legislativas.
Na quarta-feira (12), a comissão de Viação e Transportes vai tratar da atuação do Exército como executor de obras de infraestrutura; a Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação, dos impactos e perspectivas de revisão do novo Marco Legal da Inovação; a de Desenvolvimento Econômico, sobre sanções administrativas previstas para casos de vazamento de dados pessoais e a de Defesa do Consumidor, da manipulação de informações das Big Techs contra o Projeto de Lei das Fake News (PL 2.630/20).
As comissões de Relações Exteriores e de Defesa Nacional; de Defesa do Consumidor; de Viação e Transportes; de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa; do Esporte de Fiscalização Financeira e Controle; de Ciência, Tecnologia e Inovação; de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família e de Cultura terão discussão e votação de propostas legislativas.
Na quinta-feira (13), não haverá atividade dos colegiados.

Senado

Já no Senado, a semana começa com sessão deliberativa do plenário, que será realizada de forma semipresencial na terça-feira. Na pauta, projetos que tratam da instituição do Programa Escola em Tempo Integral; de Conselhos Escolares e de Fóruns dos Conselhos Escolares; da implantação do serviço de monitoramento de ocorrências de violência escolar; da formação técnica profissional e tecnológica e de articular a formação profissional técnica de nível médio com a aprendizagem profissional; e do acesso a bolsas de pesquisa, desenvolvimento, inovação e intercâmbio para alunos, docentes, ocupantes de cargo público efetivo, detentores de função ou emprego público.
Na quarta-feira, também haverá sessão deliberativa do plenário semipresencial para tratar da autorização da ozonioterapia no território nacional; para estabelecer a inexistência de vínculo empregatício entre confissão religiosa, incluídos igreja, instituição, ordem ou congregação, e seus ministros, pastores, presbíteros, bispos, freiras, padres, evangelistas, diáconos, anciãos ou sacerdotes.
Os senadores também se revezarão nos trabalhos das diversas comissões que terão atividades até quinta-feira.

Agência Brasil

Depoimentos ao TSE de aliados de Bolsonaro mostram estratégia para livrar ex-presidente

Militares e políticos ligados diretamente a Bolsonaro tentaram, em depoimentos no TSE, minimizar a conduta do ex-presidente

– FOTO: SERGIO LIMA / AFP
Antes de Jair Bolsonaro (PL) ser condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pelos ataques às urnas eletrônicas em reunião com embaixadores, aliados do ex-presidente lançaram uma estratégia uníssona na Corte na esperança de livrar o ex-chefe do Executivo da inelegibilidade.
Militares e políticos ligados diretamente a Bolsonaro tentaram, em depoimentos no TSE, minimizar a conduta do ex-presidente, sustentando, por exemplo, que suas declarações contra as urnas eram “hipóteses”, não “afirmações”.
Eles ainda tentaram ligar as falas de Bolsonaro a sua “simplicidade de linguagem”. Disseram que a transmissão do evento com diplomatas pela TV Brasil visava à “transparência”. Alegaram que os efeitos da reunião foram “superestimados”. E evocaram “falta de intenção” do ex-presidente. Mas nada disso convenceu a Corte.
As alegações constam nos termos de oitiva tornados públicos pelo TSE após o julgamento que alijou Bolsonaro das eleições até 2030. Foram divulgados depoimentos do ex-ministro da Justiça e delegado da Polícia Federal Anderson Torres, do ex-chefe da Casa Civil e senador Ciro Nogueira (PP-PI) e do deputado Filipe Barros (PL-PR). Os relatos do almirante Flávio Augusto Viana Rocha, ex-secretário de Assuntos Estratégicos da Presidência, e do ex-deputado major Vitor Hugo (PL-GO) também foram detalhados.
Todos prestaram depoimento na Ação de Investigação Judicial Eleitoral conduzida pelo corregedor-geral do TSE, ministro Benedito Gonçalves. O ex-presidente foi declarado inelegível no último dia 30, para decepção de Bolsonaro e seus seguidores. Leia abaixo trechos dos depoimentos, que, agora, podem ser usados em outras investigações que envolvem o ex-presidente:

FELIPE BARROS

As perguntas dirigidas a Filipe Barros ficaram centradas na live em que o presidente usou inquérito da PF para alegar suposta fraude nas urnas eletrônicas. Tanto Filipe Barros como Bolsonaro foram investigados pela divulgação do caso, que acabou arquivado.
Sobre o sigilo do inquérito, Barros sustentou que norma da Câmara diz que todos os documentos recebidos pelo Parlamento têm de ser tornados públicos, a não ser que tenha pedido para colocação de sigilo.
O deputado ainda sustentou que “jamais disse que teria havido fraude nas urnas”. Ele citou a “simplicidade de linguagem típica” de Bolsonaro” e disse que o ex-chefe “aventa uma hipótese” sobre fraude as urnas, mas “não afirma que houve uma fraude”. “Todas as falas… Eu, depois, me atentei, para ler a transcrição da live inteira e, em nenhum momento, nem eu nem o presidente Bolsonaro afirmamos categoricamente que havia fraude.”
Na live, Barros disse: “O hacker teve acesso a todo o código-fonte da urna, com a possibilidade até de alterar. O quê? Qual a consequência disso? Alterar o código-fonte, você faz programações. Por exemplo, bota 1, aparece o 13; bota 17, cai o voto nulo”. Ao TSE, ele disse que tratava de “mera possibilidade”.

MAJOR VITOR HUGO

Outro participante da live em que Bolsonaro usou o inquérito da PF para atacar as urnas, o ex-deputado major Vitor Hugo disse que, em nenhum momento, “percebeu na fala do então presidente um ataque às instituições democráticas”. “Eu sempre percebia no presidente, e ele, lógico como políticos que chegam nos cargos mais relevantes, tem uma maneira própria e peculiar de se referir, de falar, de conquistar o apoio da população ou da parte da população que lhe apoia, de manter esse apoio, mas em nenhum momento eu vi, eu senti no presidente a intenção de atacar as instituições.”

CIRO NOGUEIRA

Indagado se houve alguma dúvida de embaixadores estrangeiros sobre o funcionamento das urnas ou sobre a Justiça Eleitoral, o ex-ministro Ciro Nogueira respondeu: “Não”. Nogueira disse que o encontro “foi uma reunião bem tranquila” e seus efeitos, “superestimados”. “As pessoas que foram convidadas não eram eleitoras em nosso País, então, não teriam influência na questão eleitoral no Brasil.” Para ele, Bolsonaro só manifestou dúvidas sobre o sistema eleitoral, sem “promoção pessoal” ou “ganho eleitoral”. Mas avaliou que a reunião “poderia ter sido evitada”.

FLÁVIO ROCHA

O almirante Flávio Rocha foi questionado sobre a organização da reunião com diplomatas. Disse não ter sido consultado sobre o teor do discurso do ex-chefe e que a transmissão pela TV Brasil ocorreu para “dar transparência” ao evento.

ANDERSON TORRES

O ex-ministro Anderson Torres estava preso quando prestou depoimento ao TSE. Torres tentou desvincular Bolsonaro da “minuta de golpe” apreendida em sua casa. Disse que não levou o documento, nem comentou sobre o teor dele com o ex-presidente. E sustentou que “nem lembrava” da minuta, achada sob um porta-retrato com uma foto sua ao lado da mulher.
Segundo Torres, após a derrota nas urnas, Bolsonaro “entrou em um processo introspectivo”. “Ele ficou bastante isolado, fazendo esse tratamento. Acho que passando por um processo ali até de, eu diria, de aceitação do processo, de recuperação dessa doença.”

Estadão Conteúdo/JC

Bolsonaro e Tarcísio

Tarcísio x Bolsonaro: ganho ao se distanciar ou perda por correr risco de repetir Doria?

Especialistas comentam exposição da divergência entre o governador de São Paulo e o ex-presidente na reunião do PL horas antes da votação da Reforma Tributária

Bolsonaro e Tarcísio
Foto: Marina Uezima
Tarcísio de Freitas não foi o único governador aliado de Jair Bolsonaro que não obedeceu a orientação do ex-presidente de votar contra a Reforma Tributária, mas ficou parecendo. Ciente desde a campanha eleitoral da necessidade de se equilibrar no elástico campo que vai do centro à extrema direita, Cláudio Castro também foi defensor da PEC aprovada na noite de quinta-feira, mas não caiu na cilada de participar do encontro filmado em vídeo com a bancada do PL onde a cisão Tarcísio e Bolsonaro ficou exposta para todo o Brasil.
Afinal, se distanciar do padrinho político e alçar voo próprio após a decisão pela inelegibilidade do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é uma estratégia correta para o governador de São Paulo? Quem mexe com pesquisas eleitorais concorda que a posição favorável à reforma é correta do ponto de vista do mérito da proposta, mas diverge sobre o impacto eleitoral de olho nas eleições de 2026.
Mauro Paulino, comentarista da Globonews e ex-diretor do Datafolha, acha correto o movimento. Pensa que o governador de São Paulo emergiu como “protagonista da conciliação” e dividiu espaço com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o presidente da Câmara, Arthur Lira.
— Acho que mais ganhou do que perdeu. Tarcísio precisa se viabilizar como líder da direita que se divide entre moderados (em ascensão) e bolsonaristas (em declínio). É verdade que perdeu prestígio com a direita extremista, mas ela é a grande derrotada do momento. Terá apenas que suportar a campanha de difamação.
Maurício Moura, professor da Universidade George Washington e fundador do Ideia Big Data, pondera que ainda é cedo para saber o impacto, mas acha que o cenário brasileiro pode repetir o americano, após a derrota de Donald Trump nas eleições de 2020 contra Joe Biden.
— A experiência de acompanhar o Trump mostrou que todos os republicanos que entraram em rota de colisão com o ex-presidente saíram menores. Acho que o Tarcísio vai viver o mesmo dilema dos republicanos nos EUA.
Tanto Felipe Nunes, fundador da Quaest, quanto Antonio Lavareda, do Ipespe, lembram do ex-governador de São Paulo, João Doria, que viu sua popularidade desabar após romper com o ex-presidente na pandemia da Covid-19.
— Politicamente Tarcísio abalou sua imagem no bolsonarismo, mas ganhou o centro. Ou seja, com Bolsonaro elegível diria que teria sido uma derrota para ele. Mas sem o ex-presidente no jogo, a direita vai acabar no colo dele lá na frente. De qualquer forma, ele terá que passar pelo purgatório para não virar Dória ou Wilson Witzel — diz Nunes.
Lavareda considera que o episódio pode ter assinalado o início do afastamento entre os dois e que o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, pode tentar ser o “escolhido” de Bolsonaro para 2026.
— Tarcísio ficou entre a cruz e a caldeirinha. Ou acompanhar Bolsonaro numa “ideological trip” de antemão fadada ao insucesso ou mostrar-se sintonizado com as forças produtivas do país, cujo epicentro é São Paulo. Como engenheiro, certamente fez o cálculo do custo-benefício do movimento. Pode ser o nascimento do novo líder da centro-direita “normal”, sem cacoete antissistema.

Agência o Globo